Você é criador de conteúdo e recebeu um aviso de strike no YouTube? Seja por direitos autorais, violação das diretrizes da comunidade ou outro motivo, esse tipo de notificação pode comprometer seriamente o seu canal — e, com ele, sua renda, reputação e audiência.
Neste artigo, explicamos o que é o strike no YouTube, quais são as suas consequências e como você pode se defender, inclusive do ponto de vista jurídico.
O que é um strike no YouTube?
O strike é uma penalidade aplicada pela plataforma quando o YouTube identifica que um conteúdo publicado viola suas políticas. Existem dois tipos principais:
- Strike por direitos autorais (Copyright Strike): ocorre quando um terceiro (pessoa física ou empresa) reivindica que o seu vídeo utiliza conteúdo protegido por direitos autorais sem autorização, seja uma música, trecho de filme, gravação audiovisual, etc.
- Strike por violação das diretrizes da comunidade: ocorre quando o YouTube entende que o conteúdo viola suas próprias políticas internas, como proibição de discurso de ódio, conteúdo violento explícito, desinformação, entre outros.
Quais são as consequências de um strike?
O sistema de strikes do YouTube funciona de forma progressiva:
- 1º strike: O vídeo específico pode ser removido ou bloqueado. O canal recebe uma advertência e, durante 7 dias, determinadas funcionalidades ficam restritas (como transmissões ao vivo e uploads de conteúdo personalizado).
- 2º strike (em até 90 dias após o 1º): O canal fica suspenso por 2 semanas, sem possibilidade de publicar novos conteúdos.
- 3º strike (em até 90 dias após o 2º): O canal é permanentemente encerrado.
Além disso, um strike por direitos autorais pode acionar o sistema Content ID da plataforma, que monetiza automaticamente o vídeo em favor do requerente (o detentor dos direitos), em vez de removê-lo.
Como se defender de um strike?
O YouTube oferece mecanismos oficiais para contestar strikes recebidos. É fundamental agir com cautela e, preferencialmente, com orientação jurídica.
Para strikes de direitos autorais:
Contestação (Counter-notification): Se você acredita que usou o conteúdo de forma legítima — seja por autorização expressa, domínio público ou uso legítimo (fair use) —, pode enviar uma contra-notificação formal ao YouTube. Nesse caso, o canal que enviou a notificação original tem 10 dias úteis para mover uma ação judicial contra você; caso contrário, o conteúdo pode ser restaurado.
Contato direto com o requerente: Em alguns casos, é possível entrar em contato com a empresa ou pessoa que acionou o sistema e solicitar a retirada da reivindicação.
Para strikes de violação das diretrizes:
O canal pode solicitar uma revisão humana da decisão, explicando por que entende que o conteúdo não viola as políticas da plataforma. Essa revisão pode ser feita pelo próprio YouTube Studio.
O que é "uso legítimo" (fair use) e como isso se aplica ao Brasil?
O conceito de fair use é uma doutrina do direito norte-americano que permite, em determinadas condições, o uso de obras protegidas por direitos autorais sem autorização — como em casos de crítica, comentário, notícia, ensino e paródia.
No Brasil, o equivalente está previsto na Lei de Direitos Autorais (Lei n.º 9.610/1998), que lista em seu artigo 46 as hipóteses em que a utilização de obras intelectuais é permitida sem necessidade de autorização, tais como:
- Reprodução para uso exclusivo do copista, sem intenção de lucro
- Citação em livros, jornais, revistas ou qualquer meio de comunicação, com indicação de autoria e origem
- Utilização de obras literárias, artísticas ou científicas para fins educativos, em estabelecimentos de ensino
- Representação teatral e musical para fins exclusivamente didáticos
- Paráfrases e paródias que não forem cópias da obra original nem importarem em descredito dela
É importante ressaltar que a simples afirmação de "fair use" na descrição do vídeo não tem qualquer valor legal e não afasta a responsabilidade do criador.
O que fazer se o seu canal for encerrado indevidamente?
Caso o encerramento do canal tenha ocorrido de forma indevida — seja por strikes injustos, manipulação do sistema ou erro da plataforma —, o criador de conteúdo pode buscar reparação judicial.
Dependendo do caso, é possível pleitear:
- Restabelecimento do canal por via judicial
- Indenização por danos materiais (perda de receita publicitária e de parcerias comerciais)
- Indenização por danos morais (dano à imagem, reputação e perda de audiência)
No entanto, é preciso ter em mente que o YouTube é uma plataforma privada e conta com extensos termos de serviço que os usuários aceitam ao criar uma conta. A análise jurídica deve avaliar se houve descumprimento desses termos ou abuso de direito por parte da plataforma ou dos requerentes.
Prevenção: a melhor estratégia
Para criadores de conteúdo que vivem da plataforma, a melhor estratégia é a prevenção. Isso significa:
- Usar músicas licenciadas ou de domínio público (o próprio YouTube oferece a Biblioteca de Áudio gratuita)
- Ter contratos claros ao produzir conteúdo de terceiros ou com marcas parceiras
- Conhecer os limites do uso de imagem e voz de outras pessoas
- Manter registros das autorizações concedidas por titulares de direitos
- Contar com assessoria jurídica especializada em economia criativa e direito digital
Referências
- GOOGLE SUPPORT. Copyright Strike Basics. Disponível em: support.google.com/youtube/answer/2814000. Acesso em: jun. 2025.
- GOOGLE SUPPORT. Community Guidelines Strike Basics. Disponível em: support.google.com/youtube/answer/2802032. Acesso em: jun. 2025.
- ENX2 MARKETING. What Are YouTube Strikes and How to Avoid Them. Disponível em: enx2marketing.com/what-are-youtube-strikes. Acesso em: jun. 2025.
- BRASIL. Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. Lei de Direitos Autorais. Disponível em: planalto.gov.br
- BRASIL. Lei nº 12.965, de 23 de abril de 2014. Marco Civil da Internet.